Ciclo de Webinars ArqueoLoci – Turismo Arqueológico (2026)
O turismo arqueológico é cada vez mais relevante para a valorização e divulgação do património cultural, exigindo uma gestão que concilie conservação, acessibilidade e experiência educativa dos visitantes. A legislação nacional e internacional fornece enquadramentos essenciais, enquanto exemplos de práticas bem-sucedidas, tanto nacionais como internacionais, demonstram estratégias eficazes de gestão, interpretação e comunicação de sítios arqueológicos visitáveis.
A gestão de sítios arqueológicos visitáveis exige estratégias cuidadosas que integrem conservação, acessibilidade, interpretação e comunicação. Exemplos de práticas bem-sucedidas evidenciam a importância de planos de visitação, de infraestruturas adaptadas e de medidas de monitorização que minimizem impactos negativos sobre os sítios e o seu contexto cultural e ambiental.
A comunicação desempenha um papel central na sensibilização do público, através de visitas guiadas, sinalética interpretativa e recursos digitais, contribuindo para experiências mais informadas e conscientes. As recriações históricas e experiências imersivas complementam estas estratégias, permitindo uma compreensão mais tangível das dinâmicas culturais e sociais do passado.
Este ciclo de webinars propõe-se explorar estas dimensões do turismo arqueológico, promovendo a partilha de conhecimento e debate crítico sobre gestão, comunicação e interpretação de sítios arqueológicos, nacionais e internacionais, de forma a fomentar práticas sustentáveis e enriquecedoras nesta área.
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ONLINE: A sessão decorrerá via Microsoft Teams ou ZOOM e incluirá comunicação seguida de debate oral com os participantes inscritos.
A participação é gratuita, mas sujeita a inscrição prévia através do formulário disponível em:
https://forms.gle/TU47jdH2LBfzMw4y7
4 de Fevereiro de 2026 às 13h
Oradora: Sofia Fonseca,
Secretária-geral do ICOMOS International Cultural
Tourism Committee (ICTC); Consultoria Teiduma
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Moderação: Paulo Costa Pinto
Dos princípios à prática: aplicar a Carta do ICOMOS para o Turismo do Património Cultural à gestão e comunicação do turismo arqueológico
RESUMO
O turismo arqueológico assume um papel cada vez mais relevante na valorização e divulgação do património arqueológico, colocando simultaneamente desafios significativos em termos de conservação, gestão da visitação e comunicação com o público. A Carta Internacional do ICOMOS para o Turismo do Património Cultural (2022) constitui um enquadramento de referência para responder a estes desafios, ao colocar a proteção do património, os direitos das comunidades e a sustentabilidade no centro da planificação e da gestão do turismo.
Esta comunicação propõe uma leitura aplicada de alguns dos princípios da Carta do ICOMOS, analisando a sua relevância para a gestão de sítios arqueológicos visitáveis. Serão abordados, em particular, o Princípio 1, que estabelece a proteção e conservação do património como base de qualquer estratégia de turismo; o Princípio 2, centrado na gestão da visitação através de instrumentos de planeamento, monitorização e capacidade de carga; e o Princípio 3, que sublinha a importância da interpretação e da comunicação na construção de experiências de visita informadas, respeitadoras e significativas.
A apresentação integra ainda duas perspetivas transversais fundamentais no contexto atual do turismo arqueológico: o envolvimento das comunidades locais e dos diferentes titulares de direitos (Princípio 4) e a integração de medidas de ação climática e sustentabilidade na gestão dos sítios (Princípio 7). Através de exemplos de contextos nacionais e internacionais, pretende-se demonstrar como a Carta do ICOMOS pode ser utilizada como uma ferramenta prática para apoiar modelos de turismo arqueológico mais responsáveis, equilibrados e resilientes.
Abril
Orador:Paulo Costa Pinto
Grupo de trabalho da ArqueoLoci
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O trabalho de Gestão Museológica em Monumentos e Sítios. Abordagem a algumas frentes operativas.

RESUMO
Brevemente.
Junho
Orador: Gerardo Vidal Gonçalves
CIDEHUS; Associação de História e Arqueologia de Sabrosa (AHAS); Pannonias Digital Old Lands: history, cultural heritage and rural landscapes
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Tecnologias digitais na divulgação do património arqueológico: o projeto Pannonias DOL
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RESUMO
O projeto Pannonias Digital Old Lands: History, Cultural Heritage and Rural Landscapes (Pannonias DOL), promovido pela Associação de História e Arqueologia de Sabrosa, visa a valorização do património cultural e das paisagens históricas dos concelhos de Sabrosa, Alijó e Murça, integrando ainda, para além destes três concelhos, o Monumento Nacional do Santuário de Panóias, através da aplicação de metodologias das humanidades digitais à investigação, documentação e divulgação do património arqueológico e construído. Financiado pelo Turismo de Portugal, no âmbito do Programa Interior Turismo – Linha +Interior e o Património Cultural, IP, e cofinanciado e desenvolvido em estreita parceria com os municípios envolvidos, o projeto assume uma abordagem integrada de registo e preservação cultural em territórios de baixa densidade.
Entre as principais ações destacam-se o levantamento tridimensional de sítios e estruturas patrimoniais, a digitalização 3D de elementos arqueológicos, a criação de modelos virtuais, experiências imersivas e soluções expositivas interativas, bem como a instalação de um centro interpretativo no Pólo Arqueológico de Garganta (Sabrosa). De uma forma geral, o projeto Pannonias DOL procura promover novas formas de acesso, conhecimento e fruição pública do património, articulando tecnologia, investigação e desenvolvimento local.
Setembro
Orador: Sara Cura
Interdisciplinary Center for Archaeology and the Evolution of Human Behaviour (ICArEHB)/ Comunicar Arqueologia
0saracura0@gmail.com
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Da Investigação ao Público: A Comunicação de Ciência como Base do Turismo Científico em Arqueologia
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RESUMO
A arqueologia tem uma posição única na intersecção entre investigação científica e fascínio público. Enquanto o turismo patrimonial desde há muito traz visitantes a sítios arqueológicos para experienciar narrativas históricas e culturais, nas últimas décadas tem-se consolidado uma forma distinta de envolvimento com a arqueologia através do turismo científico. Ao contrário do turismo arqueológico convencional, que se centra sobretudo em partilhar narrativas sobre o passado, o turismo científico em arqueologia foca-se no processo de investigação, convidando o público a envolver-se com investigações em curso: desde o experienciar de metodologias científicas até à produção de conhecimento arqueológico.
O turismo científico em arqueologia realiza-se através de escolas de escavação, dias abertos em laboratórios e escavações, e programas de voluntariado em trabalho de campo e laboratório. Estas iniciativas proporcionam acesso ao próprio processo de investigação e não apenas aos seus resultados. Os públicos do turismo científico procuram acesso aos bastidores, valorizam a incerteza e o processo em vez de conclusões polidas, e desejam envolvimento ativo com a investigação.
Os benefícios do turismo científico arqueológico incluem maior compreensão pública da arqueologia, fontes alternativas de financiamento, oportunidades de recrutamento e contribuições de ciência cidadã. Neste contexto, além de ser necessário equilibrar o acesso com a preservação dos sítios, gerir expectativas e constrangimentos de recursos, há desafios de comunicação específicos: transmitir profundidade temporal e conceitos abstratos, comunicar a sofisticação metodológica, gerir a incerteza e as interpretações em constante mudança, mantendo sempre a integridade e ética científica.
Este webinar explora o papel da comunicação de ciência na concretização do turismo científico em arqueologia. A ideia principal é a de que a comunicação de ciência não é suplementar neste processo, mas sim um mecanismo essencial através do qual o turismo científico se torna possível. Sem traduzir e tornar acessíveis e claros os processos de investigação e as abordagens metodológicas, a investigação arqueológica permanece inacessível e, portanto, não pode ser experienciada pelos participantes neste tipo de turismo. A comunicação de ciência é, assim, uma competência essencial para envolver o público através do turismo científico, mas também em todas as outras formas de interação com a sociedade, sendo importante a sua integração nos cursos de formação em arqueologia.
Novembro
Oradora: Nova Barrero Martín
Museo Nacional de Arte Romano, nova.barrero@cultura.gob.es
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Destino Augusta Emerita: un viaje al finis terrae del Imperio
RESUMO
La antigua colonia Augusta Emerita, actual ciudad de Mérida (Extremadura, España), es nombrada por la UNESCO en 1996 Patrimonio de la Humanidad por su conjunto arqueológico, representativo de lo que supuso la romanización en el extremo más occidental del Imperio Romano. Desde comienzos del siglo XX, la arqueología de la ciudad ha permitido recuperar en la ciudad monumentos tan significativos y excepcionalmente bien conservados como el área de espectáculos, con Teatro, Anfiteatro y Circo, los edificios hidráulicos, como el puente de mayor longitud de la Península Ibérica, hasta cuatro acueductos, y, por supuesto, las áreas forenses, que debido a su capitalidad se vinculan a los dos grandes conjuntos, el Foro Colonial y el Foro Provincial. A esto se suma un amplio conocimiento de las áreas funerarias de la ciudad, que ha completado un amplio conocimiento sobre la vida cotidiana de la sociedad colonial.
La actual ciudad de Mérida, capital de la Región de Extremadura, convive diariamente con su patrimonio monumental y con la actividad arqueológica. En este contexto, el Museo Nacional de Arte Romano, institución creada en 1838 y que este año cumple 40 años en su nueva sede, obra del arquitecto Rafael Moneo, ha capitalizado la puesta en valor el patrimonio de la ciudad, con una colección monográfica de la arqueología de la colonia. Su actividad a lo largo de las últimas décadas se ha volcado en constituirse como Centro de investigación de la Lusitania Romana, con una proyección internacional de la arqueología emeritense. La actividad del Museo se desarrolla volcándose a la sociedad y convirtiéndose en centro de difusión tanto para ciudad como foco de atracción del turismo cultural que es la actividad económica base de la ciudad.